eu devo ser, dentre a maioria das pessoas que conheço, a que esteve por menos tempo num “relacionamento estável”. Mas aí vem aquela história da velha a fiar: estava eu em meu lugar, e alguma coisa veio me incomodar.
Não, eu não estou falando de infidelidades, isso fica pra outro momento. Estou falando de participar da vida de alguns casais, e geralmente nos piores momentos possíveis, aqueles de crise, de angústia, de irracionalidades, de tristeza. Eu queria conseguir simplesmente falar “poxa, é mesmo? Vcs brigaram? calma, tudo vai se resolver…”.
Mas eu tenho algo que faz essas pessoas virarem pra mim e contarem coisas. Tipo, sinto que tem uma abordagem diferente comigo. Daí eu ouço as histórias mais bizarras sobre pessoas que eu gosto muito – porque às vezes todo mundo faz umas merdas colossais mesmo – e me sinto IMPELIDA a fazer algo pra ajudar.
E, olha, eu acho sinceramente que é melhor para o casal ter alguém mediando. Não ali, tipo juiz de boxe, mas alguém que se importe o suficiente, tentando fazer a pessoa enxergar por fora da intriga e da dinâmica do casal.
E eu sofro, e eu tenho aquelas conversas intensas que equivalem a uma maratona de 5km, fumo dezenove cigarros em uma hora, eu VIVO essas crises. E já foi muito pior, eu diria que atualmente tenho conseguido até me envolver menos.
Eu só tenho receio quanto a que contribuição isso pode trazer aos meus – possíveis? – relacionamentos. Porque para os dos amigos ficamos naquela situação “eu fiz a minha parte. valorize meu esforço e faça a sua… se não der certo, a gente toma um porre”. Agora, pra mim, além da sensação de ajudar um amigo, o que fica? Fica muitas vezes um cinismo, uma visão bem menos atraente do que é essa instituição relacionamento.
Mas dá igualmente aquela impressão de ter aprendido a não fazer tal coisa, não falar de tal jeito ou implicar com tal coisa. O que relevar, sobre o que conversar e em que momento.
Espero realmente encontrar um meio-termo dessas sensações… Porque se tem uma coisa para que um monte de teoria serve muito pouco é pra esses tais “relacionamentos”. Principalmente quando é com a gente.
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